Gerenciamento de Risco: Mensuração e Tratamento

Na jornada do crescimento e da busca do destaque junto ao seu público-alvo, a organização se vê em uma posição de exposição à riscos que podem afetar as suas atividades de forma positiva ou negativa, variando de acordo com cada situação e momento vivenciado.

Embora os riscos inerentes possam representar grandes ameaças, quando bem gerenciados, podem ser convertidos em oportunidades. É justamente nesse contexto e abordagem que trazemos até você este artigo: a gestão de risco dentro das organizações.

O que é risco?

Tradicionalmente, a definição de ”risco” remete ao pensamento de que “algo possa não dar certo”, em consequência de uma incerteza ou impossibilidade de previsão do que ocorrerá.

Já na visão atual, o risco é uma combinação entre a probabilidade que determinado evento ocorra e os impactos por ele gerados. Logo, não seria possível haver o risco sem a presença desses dois elementos de forma simultânea, afinal, são complementares para a formação desse cenário.

Em finanças, o risco é geralmente proporcional ao retorno, ou seja, as operações que envolvem riscos maiores podem proporcionar melhores rendimentos e vice-versa. Nesse contexto, é necessário um bom estudo do cenário e aplicação do gerenciamento de risco.

Leia também este outro artigo para complementar o seu conhecimento: Quais informações você precisa para tomar boas decisões de gerenciamento de Tesouraria?.

Natureza e tipos de riscos

Para identificar os riscos e direcioná-los às estratégias de gerenciamento mais adequadas, é importante compreender a sua natureza.

Riscos externos — é a natureza do risco que está relacionada à macroeconomia, movimentos e decisões políticas, estrutura de juros e câmbio, liquidez de mercado, eventos naturais e todos os demais elementos que estão fora do ambiente da organização que, em consequência, não estão sob o poder de controle da empresa;

Riscos internos — são de natureza da própria organização, ou seja, dos elementos que compõem o seu ambiente interno como, por exemplo, os seus processos, a estrutura operacional, administrativa, financeira e de informações;

Riscos estratégicos — estão ligados à maneira com que os gestores estratégicos estabelecem o planejamento para o curto, médio e longo prazo, bem como atuam no processo de tomada de decisão;

Riscos operacionais — esse tipo de risco se relaciona à possibilidade de perdas de ativos da empresa, tais como os insumos durante o processo produtivo, clientes, receitas, mão de obra qualificada e demais elementos fundamentais para o funcionamento da instituição. Geralmente ocorre da ineficiência dos sistemas de gestão, fraudes, interrupções inesperadas e outros fatores relacionados;

Riscos financeiros — esse tipo de risco pode ser muito danoso ao negócio, afinal, o dinheiro é a base das demais atividades. O risco financeiro está relacionado ao gerenciamento do fluxo de caixa no processo de geração de lucro e investimentos.

Outro fato importante a ser considerado é que um risco pode migrar de uma categoria para outra que, inclusive, pode dar origem à novos riscos que poderão agir sobre a empresa de forma cumulativa.

gestão do risco corporativo

Avaliação e mensuração dos riscos

O próximo passo no gerenciamento de risco corporativo é a avaliação e mensuração. Neste ponto, os gestores da empresa devem determinar os potenciais efeitos e o grau de exposição para cada risco.

Os riscos podem ser avaliados sob a perspectiva de eventos individuais e independentes, ou seja, que geram efeitos sobre uma única área como, por exemplo, os riscos operacionais. Outra possibilidade são os de múltiplos impactos, como os riscos estratégicos e financeiros que, ao se manifestarem, geram uma reação em cadeia.

Já, para a mensuração do risco, é possível ter algumas abordagens, que variam de acordo com o estágio dessa atividade. Assim, para uma mensuração inicial, é possível adotar uma abordagem mais qualitativa, com a busca de identificar o nível de exposição ao risco que a empresa apresenta — baixa, média ou alta exposição.

No estágio intermediário e avançado da mensuração é coerente adotar uma abordagem quantitativa, estabelecendo os objetivos adequados e o acompanhamento com o uso de indicadores de desempenho e cumprimento de metas.

Perceba que, ao unir as abordagens qualitativas e quantitativas você estabelece uma mensuração abrangente dos riscos corporativos, de modo que, de um lado será possível visualizar as causas e efeitos e, do outro, a análise se traduz em números e projeções estatísticas dos riscos sobre a empresa.

Tratamento dos riscos

Avaliou e mensurou os riscos corporativos? Fez a devida classificação? Então agora chegou o momento de dar o tratamento de acordo com cada situação e possíveis reflexos que o risco pode incidir sobre a empresa.

Nessa etapa, o mapa de riscos tem por finalidade reunir as informações necessárias para orientar os esforços na execução de novos projetos e planos de ação, que tenham o objetivo de minimizar os riscos que afetam negativamente a organização.

Então, vejamos quais são as possibilidades no tratamento dos riscos!

Evitar o risco

Essa é uma das medidas que a maioria das empresas adotam no tratamento do risco, talvez, por ser uma das atitudes que menos consomem recursos. No entanto, isso nem sempre é possível, afinal, não há como eliminar o risco, mas sim, há como gerenciá-lo.

Aceitar o risco

Aceitar o risco é uma das estratégias que permite maior flexibilidade quanto ao seu tratamento, de modo que, além do entendimento de que não é possível extinguir todas as suas fontes, são abertos quatro caminhos que podem ser trilhados:

Reter — a tratativa de retenção do risco visa manter o atual nível de impactos e probabilidades em limites toleráveis para a organização. Porém, essa abordagem é um tanto inerte, de modo que a organização apenas atue na função de controle, mas não busca um benefício da situação;

Reduzir — são as ações desenvolvidas com o objetivo de minimizar a probabilidade e os impactos dos riscos, agindo de forma proativa e se antecedendo aos fatos gerados;

Transferir ou compartilhar — essa abordagem de tratamento no gerenciamento de risco corporativo também visa minimizar a probabilidade e os impactos dos riscos, no entanto, ao invés de assumi-los de forma individual, a organização adota um posicionamento de transferir ou compartilhar. Isso é muito aplicado no mercado financeiro — uma vez que as instituições transferem ou compartilham os riscos para outros personagens envolvidos no cenário;

Explorar — explorar o risco corporativo é uma excelente estratégia adotada pelas empresas que sabem lidar bem com esse tipo de exposição, uma situação em que buscam transformar suas fraquezas em forças (ambiente interno), bem como as ameaças em oportunidades (ambiente externo). Além disso, utilizam as informações a seu favor, para que assim tenham o conhecimento e as ferramentas para explorar as exposições de risco na alavancagem das suas operações.

Prevenção e redução dos danos

A prevenção e redução dos danos busca agir em profilaxia na diminuição da probabilidade de ocorrência ou dos impactos financeiros que possam agir sobre a organização, caso tais eventos ocorram. Nesse cenário, são criados planos de contingência para a pré e pós-exposição aos riscos corporativos que possam desencadear perdas financeiras e diminuição das operações.

Assim, vai atuar sobre os riscos inerentes — que ocorram naturalmente e que a empresa não pode agir sobre sua probabilidade e impactos, bem como dos riscos residuais — que resultem das ações e tomada de decisão em resposta da organização aos riscos.

Capacitação

A capacitação é uma das principais ferramentas para o gerenciamento de risco corporativo e se apresenta em duas principais abordagens: capacitação de pessoas e melhoria contínua dos processos.

Assim, a organização será capaz de agir com agilidade diante das principais ameaças de risco, bem como terá meios de eliminar as principais incertezas que impeçam o seu gerenciamento de forma efetiva.

As reflexões e instruções citadas nesse artigo são fundamentais para o gerenciamento de risco em qualquer empresa e representam as principais bases do estabelecimento sistêmico dessa metodologia.

Que tal, agora, colocar esse conhecimento em prática?

 

Autor: Rafael Lima

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