Por que investir em tecnologia de tesouraria?

“Ainda hoje, ao conhecer as dependências de uma grande empresa no Brasil, é possível deparar-se com profissionais de tesouraria realizando trabalhos manuais e utilizando tecnologias ultrapassadas, como planilhas não integradas e negociação de divisas por telefone”.

É o que afirma o Chefe de Vendas para a América Latina da Bloomberg, Geraldo Coelho, na edição do último trimestre da revista do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças). No artigo, Coelho alerta para dois riscos decorrentes do uso de tecnologias obsoletas: o prejuízo com transações cambiais e a perda de competitividade das empresas instaladas em solo nacional.

Desde meados do ano passado, o horizonte econômico e geopolítico global vem se tornando mais incerto e os mercados e moedas, mais voláteis, tanto em países desenvolvidos como emergentes. Ao redor do mundo, empresas têm relatado ganhos menores por causa de perdas cambiais, nota Coelho, e, por aqui, a situação não poderia ser diferente. Além da maior volatilidade, muitos tesoureiros corporativos ainda precisam lidar com falta de automatização de processos e tecnologias desatualizadas.

Por isso, a seguir, vamos entender melhor os desafios que a tesouraria corporativa enfrenta, no contexto brasileiro, e como algumas tecnologias podem reduzir riscos e perdas para as empresas.

Papel estratégico

O tesoureiro corporativo, hoje, é responsável tanto pelas transações financeiras, como por avaliar os riscos que elas geram para a operação. A tesouraria desempenha, portanto, um papel extremamente estratégico dentro de qualquer empresa.

Além de trabalhar com taxas de juros, prazos, garantias e condições de financiamentos, o dia a dia dos tesoureiros envolve a negociação de moedas estrangeiras, operações de hedge para assegurar uma cotação razoável no futuro, e hedge accounting.

Quanto mais eficiência e clareza houver na realização dessas tarefas, maiores serão os ganhos de produtividade para a organização. E uma das maneiras de se conseguir isso é usando tecnologias que reduzem o tempo empregado em tarefas manuais e oferecem uma visão analítica e gerencial das atividades.

Diante de um cenário contemporâneo, o tempo torna-se um fator ainda mais precioso para desenvolver insights, gerir riscos e recursos financeiros de maneira verdadeiramente assertiva.

Os objetivos da tesouraria são:

  • Reduzir riscos;
  • Trazer informações com maior confiabilidade;
  • Realizar análises mais qualitativas;

Desafios

Por outro lado, ao longo dos anos, a abertura de novos mercados impuseram maior complexidade e sofisticação para o trabalho da tesouraria: a abundância de bancos e instituições financeiras, o crescimento dos fundos multimercados e outros intermediários financeiros.

É justamente essa complexidade que tem permitido ao tesoureiro corporativo explorar novas ideias e investir seu tempo de maneira estratégica, como nota o membro da ACT (Association of Corporate Treasurers), Peter Child, em artigo para o blog da associação.

No entanto, uma série de fatores associados ao de tecnologias desatualizadas coloca muitos tesoureiros de companhias nacionais em franca desvantagem e, consequentemente, suas empresas vulneráveis a erros e inconsistências.

Entre elas, Coelho elenca a falta de dados estruturados para tomar decisões eficazes de hedge, maior dificuldade em garantir que dados de negociação tenham sido inseridos corretamente no sistema de gerenciamento da empresa e a lentidão na análise manual do registro de transações realizadas.

Além disso, há a limitação no número de bancos e instituições por meio dos quais as empresas transacionam, o que pode elevar as despesas de empresas com transações de moeda. Ou seja, os impactos em um tesouro corporativo podem ser bastante significativos.

Vantagens da Tecnologia

Diante de tantos desafios, cabe às empresas avaliar o custo-benefício das tecnologias disponíveis e assumir uma posição clara em relação ao processo de evolução do setor de tesouraria, que pode ser beneficiado diretamente e converter seus ganhos de produtividade em rentabilidade para a empresa.

São inúmeras as ferramentas que aumentam a eficiência e a segurança das ações realizadas:

1 – Fluxo de trabalho

A começar pela adoção de sistemas integrados, eles permitem estabelecer e controlar as etapas do fluxo de trabalho, otimizando o tempo dos profissionais e reduzindo erros de operação.

2 – Gestão da informação

Quanto ao controle e acompanhamento de dados, há soluções que permitem gerir de forma rápida e intuitiva aplicações, projetar cenários, acessar informações gerenciais e operacionais com maior grau de confiabilidade e possibilitar isso tudo em relatórios dinâmicos e consolidados.

3 – Automatização

Alguns sistemas fornecem cotações e projeções oriundas de diversas fontes de dados afins de otimizar a atualização automática de saldos, cálculo e projeções, economizando tempo do analista financeira.

4 – Transparência

Esses recursos ainda contribuem para um maior grau de transparência, sendo úteis em auditorias quanto nas demonstrações financeiras trazendo maior fidedignidade, além de segurança e produtividade. Essas tecnologias permitem que os tesoureiros avaliem e analisem de maneira mais rápida e eficiente o cenário, resolvam problemas e planejem estratégias de negociação mais eficazes.

As vantagens do uso da tecnologia são evidentes e serão cada vez mais importantes para diferenciar o trabalho convencional e aplicação de novas estratégias. Agora, cabe saber quando esse passo será dado pelas empresas que estão para trás na corrida pela revolução digital.

Saiba por que investir em tecnologia de tesouraria.

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