A Bitcoin irá substituir as moedas não-virtuais?

Para pensarmos sobre a moeda Bitcoin, é importante pensarmos primeiramente sobre as moedas em geral. As moedas possuem uma longa, interessante e rica história. Existem diversos livros que tratam desse assunto. O estudo da moeda é um dos assuntos mais complexos e interessantes da ciência econômica.

 

Mas acho importante fazer uma super simplificação dessa história para tentar situar o leitor.

Nos primórdios da civilização, um homem possuía 10 galinhas e queria trocar por uma vaca. O homem que tinha a vaca queria 10 sacas de trigo. Para facilitar essas trocas, foi criado algo “louco”. Podemos dizer quer criaram uma entidade que, hoje, definiríamos como uma coisa virtual. Essa coisa é conhecida como ‘moeda’.

Com a criação dessa moeda, o homem das galinhas trocou suas 10 galinhas com 10 pessoas diferentes, que não tinham nem trigo nem vaca. Tinham moedas e queriam 1 galinha para comer.

Essa ação de trocar um objeto por moeda foi chamado de “venda”.

Trocando 1 galinha por 2 moedas, o homem trocou depois essas 20 moedas pela vaca.

Essa ação de trocar moedas por um objeto foi chamado de “compra”.

O homem da vaca trocou 18 moedas por 10 sacas de trigo e ainda ficou com 2 moedas para trocar por outra coisa que desejasse no futuro.

Durante a passagem da história, a “moeda” evoluiu muito, assumindo as mais diferentes formas até o momento atual.

Hoje temos um amplo e complexo sistema de “moedas” que dão sustentação ao comércio nos países e entre os países.

Surgiu um novo “tipo” de moeda. Criptomoedas ou moeda “virtual”.
Existem várias criptomoedas. Mas vamos tratar apenas da mais famosa: O Bitcoin.

 

O Bitcoin

Criado em 2009, o Bitcoin é uma moeda 100% virtual. Não existe um papel-moeda Bitcoin para guardarmos no bolso, porque é 100% virtual. Outras moedas possuem um percentual de virtual. Não existe quantidade equivalente de cédulas de dólar para o valor de dólares hoje no mercado. Uma parcela de dólares existe apenas nos registros bancários. Nas transações financeiras. Apenas no virtual.

O Bitcoin não é emitido pelo Banco Central de nenhum país. Ele é “minerado” na rede. No início você conseguia minerar Bitcoins com um computador conectado na internet. Hoje a procura cresceu tanto que é necessário um bom investimento em hardware para conseguir minerar.
O Bitcoin possui um limite de 21 milhões. Hoje, já foram minerados aproximadamente 80% desse valor. Perto dos 17 milhões. Fica uma pergunta:

O que acontecerá quando o limite de 21 milhões for atingido e não houver mais Bitcoins para serem minerados?

Se fosse uma moeda de um país, esse país entraria num processo crescente de deflação. Ou seja, a moeda cada vez valeria mais e os bens, menos. Até o colapso da economia. No caso de um país, o governo emitiria mais moeda, reduzindo ou eliminando o processo deflacionário.

No Bitcoin não existe essa entidade reguladora. O Bitcoin será destruído pelo processo deflacionário. Ou aparecerá uma entidade reguladora, que será o fim de um dos pilares do Bitcoin ou simplesmente o uso do Bitcoin ficará restrito a uma comunidade. Uma comunidade cada vez menor em relação ao mercado mundial.

 

O Bitcoin irá substituir as moedas ‘reais’?

Na minha opinião, a TV possuía mais possibilidades de acabar com os cinemas. O E-Book, com os livros impressos. Até o momento, ambos estão longe de fazê-lo. As chances do Bitcoin conseguir isso são nulas. É mais possível, e não é provável, o dólar ou o euro se tornarem a moeda única mundial.

O Bitcoin me lembra um outro fenômeno. O Second Life. Uma predecessora de uma “rede social”, com um ambiente virtual, tridimensional, e com a criação de avatares. Foi uma febre. Milhares entraram na Second Life. Compraram imóveis. Empresas abriram filiais. Esse mundo virtual prometia ser um novo e vasto mercado. Muita gente ganhou dinheiro. Muitas mais perderam.

Mas o Second Life encolheu. Hoje restrito entre 60 a 80 mil usuários.

As moedas foram criadas para resolverem um problema de troca e resultou em 2 novas operações: Compra e venda. O Bitcoin foi criado para resolver qual problema? Me parece que o grande esforço do bitcoin está em tentar fugir do controle dos governos.

O Bitcoin possui um DNA anarquista. Sem Estado. Veem os BC’s como organismos repressores de governos opressores. Um mercado mais livre. Menos regulamentações. Quando você adquire uma moeda estrangeira, você está investindo em credibilidade. Confiança que a economia daquele país, emissor daquela moeda, é robusta e manterá a moeda com valor. Bitcoin não possui esse balizador.

O Bitcoin é a mais famosa criptomoeda. Não é a única. Surgiram outras e vão continuar surgindo. Qual será o futuro delas? Pessoalmente sou cético. Os Estados continuarão existindo e, por esse motivo, o controle das moedas continuará com eles. Qualquer tentativa de mudar isso, acabará sendo esmagado pelo poder dos Estados.

 

Sócio diretor da Gesplan S/A, com mais de 20 anos de experiência em softwares e projetos de projeções econômicas.

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