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Confronto entre Israel e Palestina: como a economia mundial sente os impactos?

19 Dezembro 2023

Além de tantas consequências humanitárias que um conflito dessa proporção pode causar, os preços de ativos, as taxas de câmbio e até os mercados de renda fixa devem ser fortemente impactados.

A volatilidade é uma questão comum no mercado financeiro. Na maior parte das empresas, inclusive, os CFOs e outras figuras importantes do setor de finanças utilizam sua experiência e a análise de dados para estarem bem preparados e capacitados para minimizar ao máximo as flutuações.

No entanto, nem sempre é possível se antever a todos os tipos de eventos que impactam a economia mundial, especialmente quando se trata de conflitos em larga escala. Esse é o caso da guerra entre Israel e Palestina, confronto que começou em 7 de outubro e já passou dos 40 dias de duração, sem previsões de quando vai acabar.

Confronto entre Israel e Palestina: 3 impactos que essa guerra traz para a economia mundial

Não importa quais países envolvidos e quanto tempo dure o embate, guerras sempre são eventos catastróficos, principalmente por conta de tantas vidas inocentes perdidas de todos os lados e das consequências humanitárias que geram a curto, a médio e a longo prazo. 

Diante desse tipo de cenário, é difícil tratar apenas dos impactos econômicos mundiais, mas conhecê-los é essencial para entender como minimizar seus efeitos e evitar complicações ainda maiores. 

Naturalmente, o mundo dos investimentos sofre flutuações com pequenas mudanças. Quando um conflito de grandes proporções, como o que está acontecendo entre Israel e Palestina, toma forma, essas variações são ainda maiores e acabam impactando questões importantes da economia mundial, atingindo também países emergentes, como é o caso do Brasil. 

Ainda que não seja possível ter uma dimensão exata de tudo que essa guerra resultará, especialmente porque ela pode ou não escalar nas próximas semanas ou até meses, algumas questões já têm se mostrado como pontos de alerta. Confira:

  • Preços do petróleo e outros ativos

Apesar de Israel e Palestina não serem grandes produtores de petróleo, a região em que estão localizados e a possibilidade de outros países atuarem ativamente no conflito causam preocupações nos preços desse recurso.

Por enquanto, a alta foi mínima, mas permanece estável. O alerta se dá pela diminuição na oferta do combustível, que pode ser gerada com a entrada do Irã e da Arábia Saudita, por exemplo, nos combates. Como são grandes produtores, se esses dois países deixarem de suprir a cadeia mundial, os valores tendem a subir consideravelmente, o que, por si só, impacta fortemente a economia global. 

Com o petróleo mais caro, outros ativos e serviços também apresentarão altas e levarão ao aumento da inflação. Ou seja, no final das contas, acaba acontecendo um efeito cascata que afeta todo o globo, gerando um cenário de instabilidade e, é claro, insegurança nos investimentos.

  • Elevação das taxas de câmbio

Outro movimento comum em casos de instabilidade política-econômica é a elevação das taxas de câmbio. O que acontece é que os investidores, buscando mitigar os riscos, acabam procurando por economias mais fortes e estáveis, como é o caso da norte-americana. Assim, acontece a valorização do dólar e a consequente desvalorização de outros mercados e moedas, que acabam perdendo investimentos por não serem considerados livres de riscos.

Como consequência, há o aumento da pressão sobre empresas e setores que dependem de importações e exportações. Um bom exemplo disso é o varejo, que também sofre com o aumento dos juros, resultado das taxas de câmbio mais altas.

  • Variações nos juros e mercados de renda fixa

A alta no valor do petróleo e as variações de câmbio, somadas a uma participação mais ativa dos Estados Unidos no conflito, podem resultar no aumento dos juros no estado norte-americano. 

Assim, a tendência é de que os investidores prefiram ainda mais retirar seu dinheiro de países emergentes, como é o caso do Brasil, e aplicá-lo em um mercado que apresenta menos riscos e maiores ganhos.

Isso pode impactar a Taxa Selic, por exemplo, e consequentemente, os investidores de renda fixa, trazendo um cenário ainda mais instável para as companhias e os cidadãos brasileiros.

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Mercado nacional: o que o embate Israel-Hamas representa para nosso país?

Além das questões óbvias, que envolvem o aumento no preço de combustíveis e na inflação, a guerra entre Israel e Hamas pode impactar especificamente a economia brasileira de algumas outras formas.

Primeiramente, um setor a ser afetado de forma direta é o agronegócio, com valores de fertilizantes, diesel e fretes mais altos – o que deve acontecer em maior escala caso o conflito se prolongue. 

A exportação de produtos agro também pode acabar se tornando um problema se outros países do Oriente Médio assumirem posições ativas no embate. Segundo Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, em entrevista à Exame, “caso tenhamos um conflito que se estenda por um longo período, ainda podemos ver preços de algumas commodities subindo de patamar”.

Mas não é só esse setor que deve sofrer. Em entrevista ao Estadão, Pedro Neves Ribeiro, analista da Aware Investments, levantou o alerta sobre o aumento da inflação e a fuga de investidores no mercado brasileiro, no caso de mais escaladas no preço do petróleo. “Nesse cenário observaremos uma alteração no ciclo de queda de juros brasileiro, com os investidores precificando uma inflação mais persistente e, consequentemente, juros mais altos do que os anteriormente precificados”, comentou.

Apesar de exportar diversos produtos para Israel e alguns para a Palestina, as exportações não parecem ser uma preocupação para a economia brasileira, mas os custos de produção também representam uma ameaça, graças às possibilidades de disparada no valor do barril de petróleo. Isso ainda impactaria o custo de produção em diversos setores, por exemplo, especialmente por conta do aumento dos custos da ureia.

Solidez econômica: como se preparar para esses possíveis impactos nacionais e internacionais

Infelizmente, a escalada nesse embate é uma possibilidade, mantendo um clima tenso no cenário socioeconômico mundial. 

Com o objetivo de minimizar os efeitos dessa realidade, é essencial estar bem preparado para todos os danos e consequências que podem surgir – seja pela participação de novos países, impacto na logística de insumos, aumento da insegurança e, consequentemente, do valor de commodities, entre outros.

Portanto, fica aos CFOs e agentes financeiros a importante função de criar um planejamento bem definido, que envolva ações para evitar e mitigar as flutuações que o mercado pode enfrentar em meio a eventos geopolíticos. 

Nesse sentido, algumas questões importantes a se ter em mente são as verdades básicas, como diversificar ativos para lidar com a volatilidade, se apoiar em informações confiáveis e não basear as decisões na emoção do momento, buscando sempre fatos comprovados.

O foco deve estar em agir de forma estratégica para reduzir os impactos econômicos de um cenário instável na sua empresa, tendo como premissas a informação e o planejamento - palavras-chave para garantir os melhores resultados mesmo em marés baixas.

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