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Tesouraria Corporativa: Onde investir em 2020?

05 Fevereiro 2020

Pela primeira vez, tesoureiros corporativos terão que assumir um risco maior ao fazer aplicações financeiras se quiserem obter o mesmo nível de retorno a que estiveram acostumados. O juro real próximo a zero é inédito na história recente e impõe uma mudança de paradigma: o fim das aplicações que garantiam, ao mesmo tempo, rentabilidade, liquidez e segurança.

Com a taxa básica de juros (Selic) no patamar mais baixo, a 4,5% a.a., e colada na inflação oficial (IPCA), 4,31%, ativos de renda fixa com vencimento a curto prazo serão cada vez menos atrativos. Reflexo disso foi resultado recorde da bolsa de valores em 2019. O índice que mede o desempenho das ações mais negociadas, o Ibovespa, encerrou o ano com ganho de 31,58%, a 115 mil pontos.

Pensando nisso, a GESPLAN selecionou 25 ativos entre os melhores e piores desempenhos acumulados em 2019, ou em 12 meses, para alimentar a discussão sobre onde investir em 2020.

A seguir, você confere esse ranking:

Rentabilidade acumulada em 2019 (ou em 12 meses*)

Fundos Ações Small Caps  51,98
Fundos Ações Investimento no Exterior  46,67
Fundos Ações Setoriais  44,28
Fundos Ações Livre  40,28
Fundos Ações Dividendos  34,58
Fundos Ações Indexados  32,28
Tesouro Prefixado 2025* 21,51
Tesouro IPCA+ 2024* 16,91
Tesouro Prefixado 2023* 16,1
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2024* 15,29
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2023* 14,34
Fundos Multimercados Estratégia Específica  14,06
Fundos Multimercados Investimento no Exterior  13,39
Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais 2021* 13,17
Fundos Multimercados Balanceados  12,57
Fundos Multimercados Livre  12,22
Fundos Multimercados Macro  11,57
Fundos Multimercados Capital Protegido  10,71
Tesouro Prefixado 2021* 9,41
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2020* 7,6

* Rentabilidade acumulada em 12 meses tendo o dia 31/01/2020 como referência.

Fontes: Anbima e Tesouro Direto

Referências

Selic ao final de 2019 4,5% a.a.
IPCA em 2019 4,31%
Variação do Dólar em 2019 3,50%
Desempenho Ibovespa em 2019 31,58%

Fontes: BCB, IBGE, B3

2020 vs 2019

Ainda que os títulos públicos apareçam bem posicionados no ranking de 2019, é importante lembrar que eles acumulam parte da rentabilidade referente a um período em que o juro esteve mais alto. No entanto, rentabilidade passada não significa garantia de retorno no futuro.

Por isso, considerando a expectativa de queda para a Selic em 2020, para 4% a.a., e de estabilidade para a inflação, em torno de 3,5%, a rentabilidade dos títulos públicos tende a cair no curto prazo.

Renda fixa

Portanto, para manter a rentabilidade em aplicações de renda fixa, será preciso adotar novas estratégias: encarar um risco maior de crédito ou optar por ativos de menor liquidez.

Nesse caso, as opções são recorrer a títulos privados, como as debêntures, CRI’s, CRA’s, entre outros, ou a títulos públicos com vencimento mais longo.

Mercado de Ações

Ou seja, é no mercado de ações onde, a princípio, estarão as melhores chances de ganho em 2020.

Em 2019, por exemplo, apenas três dos 12 tipos de fundo de investimento em ações tiveram desempenho acumulado pior do que o Ibovespa, segundo dados da Anbima. Os Fundos de Ações FMP-FGTS, com 15,56%, os Fundos Fechados de Ações, que tiveram rendimento negativo de 0,12%, e o Fundo Mono Ação, com 14,32%.

Previsões

Em 2019, o crescimento da BM&FBovespa foi impulsionado por juros baixos também no exterior e um clima positivo nos mercados mundiais. E a expectativa continua positiva para 2020. A maior gestora de recursos do mundo, a BlackRock, com US$ 6,3 trilhões sob gestão, divulgou, em janeiro, um relatório em que reforça esse otimismo com ênfase para os mercados emergentes.

A estabilização do crescimento global, o aumento da atividade industrial e a manutenção dos juros em níveis baixos nos países emergentes devem estimular a economia e os mercados de ações. O último relatório do FMI sobre o panorama da economia global está alinhado a essa expectativa.

A estimativa para o PIB dos países emergentes, em 2020, é de 4,4%, e de 3,3% para o PIB Mundial. Enquanto isso, o Brasil deve crescer 2,2%, e a América Latina, 1,6%.

Diversificação

No ano passado, as bolsas também fecharam em alta nos Estados Unidos e na Europa. O índice Dow Jones subiu 22% e o Nasdaq, 35%, enquanto as bolsas de Frankfurt, Paris e Milão, registraram alta de 26%, 27% e 27%, respectivamente.

Em outras palavras, considerando o atual patamar de taxa de juros no Brasil e o bom desempenho do mercado de ações no mundo, passa a ser mais viável e, talvez, interessante investir em outros mercados através de fundos internacionais e fundos multimercados que investem no exterior.

Diante desse novo cenário, uma coisa é certa: para manter o equilíbrio entre rentabilidade e segurança, será preciso analisar melhor as oportunidades de investimento e diversificar a carteira de aplicações.

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